Mas cadê a voz?
A voz foi embora também, junto com os sonhos e ideais...
Ninguém ouve o grito de quem finge, cala a própria voz e cala o grito de desespero!
Mas por que fingir e calar a voz?
Às vezes ficamos saturados dos "mestres", dos "doutores" da vida que sempre têm "remédios" e dão "diagnósticos" na superficialidade...
A dor emocional é sempre banalizada...
O que eu queria? Que o meu e tantos outros gritos tivessem voz, que realmente respeitassem as dores!
Além de lidar com a dor, lidamos com "sabichões", com pessoas extremamente insensíveis, com a curiosidade indiscreta...
Não é morrer que eu quero, quero que a dor acabe, quero me resgatar, quero ficar inteira depois de tanta luta...
Busco refúgio porque não quero que o que resta seja destruído! Anseio pelo fim da luta, pela vitória, por respirar aliviada, até mesmo pela trégua que ainda não deu o ar da graça...
Estou ferida no campo de guerra, mas não há tempo para parar e olhar a ferida, se é mortal ou não, não posso gritar para não atrair "inimigos" que me machuquem ainda mais; calo, prefiro me camuflar e não ser vista... uma espécie de cruz vermelha tenta me ajudar, sigo lutando porque dessa luta não posso fugir, ainda que esteja ferida. Já mudei tanto as estratégias... mas minha "munição" está acabando...
Se eu morrer em campo de batalha, por favor, lembrem de outros tantos que estão feridos... sei que cada um tem sua batalha interna mas caminhar sozinho enfraquece, caminhar ferido é bem difícil, não julguem os que não conseguem levantar, os que fogem ou os que desistem...
Tenham sensibilidade para ouvir o grito sem voz, o grito que não sai por cautela e medo! Há dores imensuráveis e há soldados que vão à luta mesmo com medo e isso os tornam gigantes!
Lílian Mota
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